quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mais do fabulário


Percebi que não vivi muito, viver no sentido de ter experiências marcantes. Nunca as tive no sentido extremo das coisas. Duas ou três vezes eu me afundei, mas na segunda-feira eu já era a Michelle de sempre. Acho que vivi pela experiência dos outros. Li demais e não senti necessidade de experimentar. Se eu me arrependo? Hoje digo que não, amanhã já não sei.

22 anos. Ainda há muito o que acontecer. Digo para mim mesma que não tenho pressa, que vou esperar, mas minha paciência chegou a um limite intolerável. Tudoaomesmotempoagora se tornou meu sobrenome. Quero tudo rápido, amanhã está longe demais. Quebro a cara? Sempre! Mas é melhor sentir a dor do que o vazio.

[Nadja - Autosomal]

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Eis que volto


Cansei dessa minha história de escrever sobre não conseguir escrever. Afinal, de qualquer forma, eu escrevo. Eu queria ter mais tempo para ler, pois todo escritor é antes um leitor. Mas aí eu caio naquela história de Bukowski sobre o ócio do escritor. Acho que nunca o tive, na realidade. Tanto na rotina quanto na ausência dela eu quero tudoaomesmotempoagora.

Li uma reportagem sobre uma mulher que lê um livro por dia há um ano. Confesso que a invejei. Todo mundo precisa de uma válvula de escape para não enlouquecer e por enquanto (quer dizer, há uns 11 anos), a minha tem sido a leitura. Acho que a do Bukowski era escrever, assim como a da Clarice. Isso porque nem citei Fernando Pessoa (Caeiro, Reis, Campos, etc etc etc).

Saramago não pára de escrever. Perdi as contas de quantos livros dele temos em casa e quando ainda preciso comprar. (Por falar nisso, meu pai leu "Caim" em menos de dois dias e achou fantástico). Eu entendo essa necessidade de escrever, principalmente se for em um pedaço de papel.

Isso me lembra da quantidade de livros que estão na fila para eu ler. Estou no meio de "Let the right one in" (Oskar e Eli são meus novos xuxuzinhos). Livrinho maravilhoso, mas que infelizmente só tenho tempo de ler no metrô/ônibus. É bom ler em inglês, não me sinto mais tão enferrujada. Na lista ainda tenho Virginia Woolf, vários do Saramago ("Caim" é o primeiro da lista), James Joyce (não, ainda não me aventurei a ler "Ulisses". Aliás, depois conto uma história de quando eu estava abraçada a esse livro numa livraria X de São Paulo). Hoje uma amiga do trabalho me emprestou um romance água com açúcar. Não é meu tipo de leitura, mas aprendi a ler (quase) tudo que cai em minhas mãos. Inclusive, pretendo ler o livro daquele senhorzinho que eu conheci no metrô. Tentei ler Paulo Coelho, mas desisti na metade. Li os quatro livros da série "Crepúsculo" e achei um belo de um lixinho. E assim vai.

Semana passada eu vi aquele documentário do Bukowski (É, eu sempre falo dele e sempre vou falar. Fato.) "Born into this" e me deu um aperto no coração. Vejo os "escritores" da minha geração e sinto que está tudo indo por água abaixo. Claro que eu não estou falando de Ruffato e Bonassi. Bukowski veio de guerras, problemas familiares e toda aquela coisa. E o povo da minha época? Como disse meu querido Tyler: "Nossa Grande Depressão é nossas vidas". Uma vez a Jana disse que não existem gênios aos 20 anos e eu concordo plenamente. As coisas mudaram muito desde Álvares de Azevedo. Faço parte de uma geração vazia, metida a revoltadinha e rebelde sem causa plausível. Ideais vazios não me convencem. Acho que antes de se chamar escritor você precisa saber escrever e sair dos clichês tão comuns dos anos 2000. Tenho amigos escrevendo coisas ótimas (né, Tinha?) e acho que nem tudo está perdido.
(Eu queria citar aqui uma "escritora", mas só li seus textos na internet, nunca tive um livro seu em mãos. Fico quieta por enquanto, odeio pré-julgamentos).

Acho que tudo que tudo que eu deixei de escrever nos últimos tempos saiu hoje, de uma vez só. Uma frase que estava na minha cabeça se transformou nisso.
Definitivamente, eu preferido escrever num papel do que digitar. Tudo isso surgiu hoje a tarde. A noite, apenas aperto as letrinhas.

Sono, muito sono.

[Blood Ceremony - Hop Toad]

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Do vazio


"todos meus poemas não irão ajudar. todas as mulheres que fodi não irão ajudar. e todas as mulheres que eu não fodi certamente não irão ajudar. preciso de alguém que tire essa tristeza de mim. preciso de alguém que diga, eu compreendo, garoto, agora não se aflinge e morra." (Notas de um velho safado)

Porque eu não consigo mais escrever, por mais que eu tente.
No caderno pequeno as palavras fluem, mas aqui, nada presta.
Bukowski para preencher o vazio.
O meu vazio de palavras. Palavras que se tornam sentimentos.
Hoje o sentimento é de liberdade, de ter me livrado de algo maléfico. Algo que era como uma droga, prejudicial, mas incontrolável.
Um ano desde que tudo mudou. Para sempre.
Agora é inalcançável. Inacessível.

"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece." (Numa Fria)

Eu queria acreditar.
Hei de acreditar. Assim espero.

[Josephine Foster - Second Sight]



quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Do Fabulário Diário

Sábado tive uma nova disciplina na pós. Apresentações, professora nos "entrevistando". Resumindo: ela disse que eu tinha jeito de professora. Ok.

Hoje estou eu lendo um livro sobre Literatura Infantil da Nelly Novaes Coelho no metrô e do nada um senhor me pergunta: "Você é professora?". Eu disse que não e ele completou: "Mas você vai ser. E você terá muita responsabilidade. Dar aula não é só ganhar dinheiro, você vai ter muito a ensinar para essas crianças". Eu ouvi tudo que ele tinha a dizer. Do nada, ele me dá um marca página de um livro que ele escreveu. Pausa para um silêncio incômodo. Ele me dá um livro escrito por ele. Livro espírita. Ele me dá seu cartão e pede que eu leia o livro e escreva para ele dizendo o que achei. "Se eu for muito prolixo, por favor, me avise. Mesmo que você não goste do tema, me fale da parte literária".

Só comigo acontece esse tipo de coisa.

[A Naifa - Queixas de um Utente]

domingo, 18 de outubro de 2009

Cinefilia de novo

Eu sou extremamente chata para filmes. Não assisto a um monte de filmes e sei que nessas eu perco coisas boas, mas infelizmente ainda não consegui mudar esse meu lado.
Quando eu tinha uns 13 anos eu ia ao cinema todo mês, pelo menos duas vezes. Mas o tempo passou e eu desisti, nada do que passava me agradava. Ano passado eu devo ter ido apenas umas duas vezes. Em 2009 isso continuou, até que fui assistir "Anticristo".


Fui assistir a esse filme com três amigos e quando acabou, um senhor que estava na nossa frente disse: "Que filme péssimo. Gastei meu dinheiro a toa". Praticamente todos os meus amigos disseram a mesma coisa. Assim como os críticos!
Eu sempre fui fã do Trier, "Dançando no Escuro", "Ondas do Destino" e "Dogville" são filmes fantásticos. Eu sabia que ia gostar desse. A mídia fez uma puta promoção do filme, falando das cenas chocantes, disso e daquilo. Eu não vi nada de chocante. Chocante eram as cenas de sexo nos filmes "Saló" e "Thriller" na década de 70. Em 2009 não podemos mais dizer que algo seja chocante em termos de cinema.
Mas enfim, eu gostei demais desse filme e de todo o contexto dele. Tudo ali para mim teve um sentido e as cenas ditas "chocantes" tiveram um porquê de existir.
Preciso revê-lo, anotar algumas coisas e tentar entender melhor o que me passou batido.
Como diz a minha amiga Manú: é difícil existir algum filme que eu diga que odiei, sempre procuro tirar algo de bom deles. É a mesma coisa comigo, um filme sempre vai ter algo de bom. Afinal, filmes são meus placebinhos extracorporais. :)

Há alguns meses tivemos o SP Terror. Um festival de cinema com filmes de terror. Brilhante. O problema é que os filmes passavam em horários péssimos durante a semana e no final de semana, estava tudo lotado. Na programação, tinha um tal de "Låt den rätte komma in." Li a sinopse e pensei "Tô de boa de um 'Crepúsculo' sueco". Passou um tempo e um amigo vem me dizer que viu esse filme e que era fantástico, nada a ver com os vampirinhos adolescentes de "Crepúsculo". Baixei e fiquei sem palavras. Esse mesmo amigo importou o livro (em inglês), leu e disse que entrou em estado de choque. Resultado: agora estou lendo o livro e semana passada fui rever no cinema. Digo que se me chamarem para ir ao cinema de novo eu vou! haha
Como conversei com uns amigos, só não é o melhor filme de vampiros da história porque existiu Bela Lugosi. E reitero, "Crepúsculo" de cu é rola. E posso dizer isso com plena convicção porque li os quatro livros (mas não tive coragem de ver o filme! haha), mas esse é assunto para outro post.
Lendo o livro percebi que muitos detalhes não foram colocados no filme, por questões de tempo e tudo mais. Mas esses detalhes fazem muita diferença. Quem puder ler, não vai se arrepender.
Resumindo: esse povo da terra do Bergman sabe muito bem fazer cinema. Tirando o Lukas Moodysson, que pisou na bola com seu "Um vazio no meu coração".



Quando eu era criança a minha assinava aquela revista Set. Eu me lembro de ficar lendo sobre os filmes e queria ver todos ali citados. Li sobre "Pulp Fiction" e fiquei ansiosa para ver. Eu devia ter uns 10 anos quando assisti com meus pais e foi amor à primeira vista. A partir dali, Tarantino se tornou meu diretor favorito (até eu fazer 18 anos e conhecer Ingmar Bergman! haha). Amei todos os filmes que ele dirigiu, escreveu e atuou, até mesmo aquele "Grande Hotel" que muita gente despreza. E a participação dele em "A Balada do Pistoleiro" e "Um Drink no Inferno" são fantásticas!
Quando eu li que o Tarantino estava dirigindo um filme sobre nazismo com o Brad Pitt, eu já fiquei ansiosa para ver. Ontem fui ao cinema e vi um dos melhores filmes da minha vida inteira!
A escolha dos atores foi maravilhosa! Brad Pitt, como sempre, estava maravilhoso. Ele não é apenas um rosto bonito, sabe atuar e muito bem. Adoro quando ele faz papéis bizarros, como em "Clube da Luta", "Snatch", "Doze Macacos" e etc. O sotaque dele está perfeito nesse. E adorei a participação do Daniel Brühl, foi bacana vê-lo em um filme que não "Edukators" e "Adeus Lênin".
Um ponto extremamente positivo foi a caricatura que ele fez do Hitler. Afeminado, bobo e estúpido: melhor impossível.
O que eu achei mais incrível? As referências que ele fez a outros filmes. Aquela cena à la "Say hello to my little friend" foi fantástica!
E a quote que mais marcou: When you join my command, you take on debit. A debit you owe me personally. Each and every man under my command owes me one hundred Nazi scalps. And I want my scalps. And all y'all will git me one hundred Nazi scalps, taken from the heads of one hundred dead Nazis. Or you will die tryin'.
Tarantino nunca me decepciona. Esse filme é um forte candidato a melhor do ano.

Dia desses meu amigo Nikolai me disse que tinha visto esse filme e que era muito bom. Ficção Científica não é muito do meu gosto, ainda mais quando envolve ETs (Eu morro de medo de ETs, um trauma de infância que depois posso até comentar aqui! haha). Mas claro que "ET" do Spilberg é um clássico e eu amo de paixão. Quando me dei conta, todo mundo estava falando desse "Distrito 9". Assistimos aqui em casa no domingo passado. E não é que é um bom filme? Ele tem aquele estilão de documentário e tudo começa quando uma nave mãe quebra bem em cima de Johannesburgo. Só de não ter sido em Washington, já foi uma grande surpresa.
Os ETs são ótimos e o filme é extremamente político. Senti um quê de "A Revolução dos Bichos" no exemplo de metáfora.
Fico feliz que filmes não-idiotas estejam alcançando a grande mídia. :)


Vi mais filmes nesse meio tempo, mas esses foram os que mais me marcaram.
Em breve escrevo mais sobre cinema aqui.

[The Angelic Process - Welcome to Oblivion]

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Eles eram muitos cavalos

Uma estante

Leia o salmo 38

Fran


Era para ser apenas uma aula de Tecnologias aplicadas à educação.
E se tornou uma ode ao trabalho de Ruffato. :)

[Life is a Lie - Ordem Bestial]

domingo, 4 de outubro de 2009

Porra!


Será?
Eu devo concordar, né?
Faz parte dessa coisa literária.
Acho que sem ele as coisas perdem a graça. Até que o que é trágico é emocionante. Eu prefiro isso a morrer de tédio. Seja num Werther bobão ou num Heathcliff todo cheio de si. Charlottes, Janes, Macabéas, Florbelas...ah, Fernando...
E vocês, Bubu...você e suas mulheres com belas pernas...e toda a sua decadência de L.A.
As Elizabeths do Bergman...

"Leaning over you here
Cold and catatonic
I catch a brief reflection
Of what you could and might have been
It's your right and your ability
To become my perfect enemy"



[A Perfect Circle - Passive]