Eu sou extremamente chata para filmes. Não assisto a um monte de filmes e sei que nessas eu perco coisas boas, mas infelizmente ainda não consegui mudar esse meu lado.
Quando eu tinha uns 13 anos eu ia ao cinema todo mês, pelo menos duas vezes. Mas o tempo passou e eu desisti, nada do que passava me agradava. Ano passado eu devo ter ido apenas umas duas vezes. Em 2009 isso continuou, até que fui assistir "Anticristo".

Fui assistir a esse filme com três amigos e quando acabou, um senhor que estava na nossa frente disse: "Que filme péssimo. Gastei meu dinheiro a toa". Praticamente todos os meus amigos disseram a mesma coisa. Assim como os críticos!
Eu sempre fui fã do Trier, "Dançando no Escuro", "Ondas do Destino" e "Dogville" são filmes fantásticos. Eu sabia que ia gostar desse. A mídia fez uma puta promoção do filme, falando das cenas chocantes, disso e daquilo. Eu não vi nada de chocante. Chocante eram as cenas de sexo nos filmes "Saló" e "Thriller" na década de 70. Em 2009 não podemos mais dizer que algo seja chocante em termos de cinema.
Mas enfim, eu gostei demais desse filme e de todo o contexto dele. Tudo ali para mim teve um sentido e as cenas ditas "chocantes" tiveram um porquê de existir.
Preciso revê-lo, anotar algumas coisas e tentar entender melhor o que me passou batido.
Como diz a minha amiga Manú: é difícil existir algum filme que eu diga que odiei, sempre procuro tirar algo de bom deles. É a mesma coisa comigo, um filme sempre vai ter algo de bom. Afinal, filmes são meus placebinhos extracorporais. :)

Há alguns meses tivemos o SP Terror. Um festival de cinema com filmes de terror. Brilhante. O problema é que os filmes passavam em horários péssimos durante a semana e no final de semana, estava tudo lotado. Na programação, tinha um tal de "Låt den rätte komma in." Li a sinopse e pensei "Tô de boa de um 'Crepúsculo' sueco". Passou um tempo e um amigo vem me dizer que viu esse filme e que era fantástico, nada a ver com os vampirinhos adolescentes de "Crepúsculo". Baixei e fiquei sem palavras. Esse mesmo amigo importou o livro (em inglês), leu e disse que entrou em estado de choque. Resultado: agora estou lendo o livro e semana passada fui rever no cinema. Digo que se me chamarem para ir ao cinema de novo eu vou! haha
Como conversei com uns amigos, só não é o melhor filme de vampiros da história porque existiu Bela Lugosi. E reitero, "Crepúsculo" de cu é rola. E posso dizer isso com plena convicção porque li os quatro livros (mas não tive coragem de ver o filme! haha), mas esse é assunto para outro post.
Lendo o livro percebi que muitos detalhes não foram colocados no filme, por questões de tempo e tudo mais. Mas esses detalhes fazem muita diferença. Quem puder ler, não vai se arrepender.
Resumindo: esse povo da terra do Bergman sabe muito bem fazer cinema. Tirando o Lukas Moodysson, que pisou na bola com seu "Um vazio no meu coração".

Quando eu era criança a minha assinava aquela revista Set. Eu me lembro de ficar lendo sobre os filmes e queria ver todos ali citados. Li sobre "Pulp Fiction" e fiquei ansiosa para ver. Eu devia ter uns 10 anos quando assisti com meus pais e foi amor à primeira vista. A partir dali, Tarantino se tornou meu diretor favorito (até eu fazer 18 anos e conhecer Ingmar Bergman! haha). Amei todos os filmes que ele dirigiu, escreveu e atuou, até mesmo aquele "Grande Hotel" que muita gente despreza. E a participação dele em "A Balada do Pistoleiro" e "Um Drink no Inferno" são fantásticas!
Quando eu li que o Tarantino estava dirigindo um filme sobre nazismo com o Brad Pitt, eu já fiquei ansiosa para ver. Ontem fui ao cinema e vi um dos melhores filmes da minha vida inteira!
A escolha dos atores foi maravilhosa! Brad Pitt, como sempre, estava maravilhoso. Ele não é apenas um rosto bonito, sabe atuar e muito bem. Adoro quando ele faz papéis bizarros, como em "Clube da Luta", "Snatch", "Doze Macacos" e etc. O sotaque dele está perfeito nesse. E adorei a participação do Daniel Brühl, foi bacana vê-lo em um filme que não "Edukators" e "Adeus Lênin".
Um ponto extremamente positivo foi a caricatura que ele fez do Hitler. Afeminado, bobo e estúpido: melhor impossível.
O que eu achei mais incrível? As referências que ele fez a outros filmes. Aquela cena à la "Say hello to my little friend" foi fantástica!
E a quote que mais marcou:
When you join my command, you take on debit. A debit you owe me personally. Each and every man under my command owes me one hundred Nazi scalps. And I want my scalps. And all y'all will git me one hundred Nazi scalps, taken from the heads of one hundred dead Nazis. Or you will die tryin'.Tarantino nunca me decepciona. Esse filme é um forte candidato a melhor do ano.

Dia desses meu amigo Nikolai me disse que tinha visto esse filme e que era muito bom. Ficção Científica não é muito do meu gosto, ainda mais quando envolve ETs (Eu morro de medo de ETs, um trauma de infância que depois posso até comentar aqui! haha). Mas claro que "ET" do Spilberg é um clássico e eu amo de paixão. Quando me dei conta, todo mundo estava falando desse "Distrito 9". Assistimos aqui em casa no domingo passado. E não é que é um bom filme? Ele tem aquele estilão de documentário e tudo começa quando uma nave mãe quebra bem em cima de Johannesburgo. Só de não ter sido em Washington, já foi uma grande surpresa.
Os ETs são ótimos e o filme é extremamente político. Senti um quê de "A Revolução dos Bichos" no exemplo de metáfora.
Fico feliz que filmes não-idiotas estejam alcançando a grande mídia. :)
Vi mais filmes nesse meio tempo, mas esses foram os que mais me marcaram.
Em breve escrevo mais sobre cinema aqui.
[The Angelic Process - Welcome to Oblivion]