terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A different land

Desde que voltei de viagem eu tento escrever alguma coisa, mas é impossível. O calor de São Paulo sufoca, o asfalto queima as pernas e a chuva acaba com a tranquilidade. O bom de ter saído daqui é que eu aprendi a sentir saudades de casa. 5 dias longe e eu morro de amores pela minha cidade. Chapecó é uma cidade linda, com coisinhas bem legais e pessoas interessantes, but there's no place like home. Amo cada canto dessa cidade, ao mesmo tempo que odeio. O metrô é sufocante, tenho ataques quando estou embaixo da terra. Mas não troco isso aqui por nada. Meus amores estão aqui (alguns, outros insistem em fugir) então aqui eu fico. E penso no que volta do passado, enquanto eu estava longe.

Desprezo sua vida e gosto de você. Contradição. Sou feita de contradição. Hoje a tarde eu sentia saudades, agora eu sinto nojo. Da sua vida, do seu cheiro, do seu jeito. De tudo.
Ode de amor. Ode falsa e mutável.
Poluição, asfalto, prédios, cinza. E eu sufoco.

Sufoco de cinza, de amor, de angústia, de ânsia, de tudoaomesmotempoagora.
Perco as palavras, perco os sentidos e perco meu sono.
Tudo culpa sua.

"I walk on concrete
I walk on sand
But I can't find
A safe place to stand
I'm scared baby
I wanna' run
This world's crazy
Gimme' the gun"

[PJ Harvey - Big Exit]

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

As noites chuvosas

As noites chuvosas de sexta-feira costumam ser as piores.
Já chove há algum tempo em São Paulo. A água toma conta das ruas. As gotas de chuva escorrem pelas janelas do ônibus. O clima é abafado, as pessoas não falam, todas estão cansadas. Abro um livro, tento ler sem sucesso. Os sussurros tomam conta dos meus pensamentos e eu começo a ter idéias. Todos aqueles rostos cansados, olhando pelas janelas. Seus celulares, seus trabalhos, seus amores. Tantas almas em um espaço tão pequeno.
Todos acordam esperando que algo de bom aconteça em seu dia. Eu não, é nesse momento que eu começo a esperar pelas coisas, quando estou indo para casa. O dia é corrido e todos as minhas idéias não são concluídas pela falta de tempo, pelas tarefas cotidianas. Nessa hora não. Gosto de voltar quando já escureceu, quando chove e quando as pessoas estão cansadas. As coisas parecem fazer mais sentido.
As luzes das vitrines. Os bares estão cheios e eu estou cansada.
"O mundo corre muito lento para mim". Eu nunca vou esquecer essa frase.

[Lifelover - M/S Salmonella]

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

esse ar blasé

Eu tenho tido os sonhos mais esquisitos do mundo.
O de hoje foi especial: eu estava em uma espécie de faculdade avaliando o local. Eis que um cabeludo de óculos pede minha caneta roxa preferida e escreve num papel "x sim x não". Aí ele me mostra uma foto de um peixe (?) com cara de sofrimento e eu escrevo uma frase embaixo. Acordei com a tal frase na cabeça e fui correndo para anotá-la na minha agenda com a tal caneta roxa.
Sinto que ainda vou usar aquela frase em algum momento da minha vida.
Esperemos.

Comecei a ler a biografia do Bukowski. Tenho um artigo para entregar em março.
Melhor leitura para esse momento.
E eu me obrigo a ler Santiago Nazarian e Caio Fernando Abreu esse ano. E preciso ler mais Ruffato e mais Bonassi. E mais Mia Couto. E mais pessoas desconhecidas.
Mas voltando ao Santiago, hoje meu dia foi dividido entre o blog dele e um tal relatório que tem consumido meus neurônios. No blog, me deparei com uma entrevista dele, e dizia: Sim. Talvez seja até uma coisa meio classe média, esse tédio, esse ar blasé. Não posso fugir disso. Eu gostaria de ser mais hardcore, de ser mais pesado talvez, mas consigo me aproximar mais de uma apatia, de uma melancolia. Acho que isso funcionou bem em Feriado de Mim Mesmo, que é um livro muito calcado no tédio. Eu sou muito entediado, até por ser hiperativo. O mundo corre muito lento pra mim.

O mundo corre muito lento pra mim.
Acho que eu não preciso dizer mais nada. Finalmente encontrei alguém que expressou tudo por mim.
PRECISO dos livros dele.

E essa citação ainda vai ser devidamente comentada.
O sono me impede nesse momento.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Coincidência?

Esses dias eu estava dando uma olhada nos posts antigos aqui do blog (às vezes nem parece que escrevi aquele monte de coisas) e encontrei com um texto em que eu respondi um questionário.

Eis que me deparo com isso aqui:

20. Que nome escolheria se tivesse uma filha?
Sophia. Mas acho que ainda vou ter uma gata com esse nome. Mais plausível que uma filha.

Esse nome tem história.
E eu tenho uma persinha chamada Sophia.

Ai ai, esse mundo vasto mundo.

[Terrorizer - Storm of Stress]

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

E segue


Voltei ontem de viagem. Passei 24 horas sem dormir e tudo já tinha virado cópia da cópia da cópia. Mas valeu cada segundo. É maravilhoso estar longe, sentir falta de casa, sentir saudade do caos, mesmo que eu reclame diariamente. Amei tudo, conheci mentes complicadas, dei risada. Como eu queria, aconteceu tudoaomesmotempoagora. Sobraram as lembranças e as idéias, que não são poucas. Agora a meta é colocá-las todas em prática.

Finalmente comecei a ler "Caim" do Saramago. Eu sabia que ele iria me impressionar. Os nomes com letras minúsculas, o costumeiro uso de vírgulas e o tom de sarcasmo. Saramago incomoda de uma forma que poucos conseguem, não ofende, apenas instiga.

Domingo assisti "C.R.A.Z.Y.". Zac nasceu no dia 25 de dezembro e em uma família composta apenas por filhos homens. Seus gostos não eram muito adequados para um menino e aos poucos ele começa a moldar sua personalidade. Tem Bowie, tem Cure, tem Pistols. Cinema canadense com clima de cinema europeu. Amei demais.

Isso me leva a falar de um novo blog (olha só, mais um!). No finalzinho de 2006 eu e a Manú montamos o fotolog Cine Moloko. Com o tempo, eu passei a postar quase que diariamente lá, até que um serzinho inferior o denunciou e o fotolog foi desativado. Cheguei a falar disso aqui. Até montei outro fotolog na época, mas o feeling não era mais o mesmo. Até que a Manú veio com a idéia de reativarmos o Cine Moloko, em forma de blog. E eis que lhes apresento o Cine Moloko.
Mas dessa vez é diferente, é um blog comunitário, todos tem voz e opinião. Quem quiser enviar alguma resenha, crítica ou pensamento livre, é só entrar em contato comigo.

Por enquanto é só. A realidade caiu com tudo nas minhas costas. Dormir tarde, acordar cedo, metrô lotado e todo aquele blá blá de sempre. Mas dessa vez é diferente. Eu disse que seria.

[The Devil's Blood - The Anti-Kosmik Magick]

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

To Tar... To Tar... / So close and yet so far

Once upon a time... a long, long time ago... there was a mystical city, Tar. And at that time all the cities were intact and flourishing, because the final war had not yet begun. When the great catastrophe occurred, all the cities crumbled... except Tar. Tar still exists. If you know where to look for it, you will find it. And when you get there you will be presented with wine and water and play with a gramophone. When you get there, you will help harvest grapes and you will pick up scorpions hidden under white rocks. When you get there... you will know eternity. You'll see a bird that drinks one drop of water from the ocean every hundred years. When you get there, you'll understand life and you'll become a cat, phoenix, swan, elephant, baby and an old man. You'll be alone and accompanied. You'll love and be loved, sharing the same space... and yours will be the seal of seals. As you approach the future, you'll find... Ecstasy. It will overwhelm you and never abandon you.

Estou em férias há algum tempo e desde então não consegui ter uma boa noite de sono. Coloco a culpa no calor, no telefone que toca logo cedo, nas minhas gatas que cismam em me acordar. Mas acho que o principal fato dessas noites mal dormidas são os sonhos. Não diria pesadelos, porque é só acordar que eles acabam. Esses sonhos que eu tenho tido deixam uma sensação ruim o dia todo. Confesso que fui procurar na net essas coisas de significados dos sonhos e tudo pareceu muito vazio. Contei um deles para minha amiga Manú: eu estava sentada numa cadeira de rodas, mas eu podia andar. Até no sonho eu não entendia porque preferia estar na cadeira. Eis que Manú me fala: "Fando y Lis". Fez todo o sentido do mundo...Fando, Lis, Tar, tudo!
Lis conseguia mexer seus pés, mas dizia não conseguir andar. Fando estava ali para carregá-la para Tar. Eis que eu me encontro a procura de Tar.

E você não?

[PJ Harvey - A perfect day Elise]

sábado, 9 de janeiro de 2010

The Heart is Deceitful Above All Things


Eu gosto de diretores perturbados. Eu gosto de pessoas perturbadas na ficção, é claro, ao vivo é irritante. Chega de gente perturbada ao meu redor, já conheci o suficiente para duas vidas inteiras.
Ontem vi aquele filme "Maldito Coração" com direção da Asia Argento. Para quem não sabe, ela é filha do Dario Argento, que fez "Suspiria" e muitos clássicos do terror. Mas voltando ao filme, é baseado num livro do J. T. Leroy. Uma mãe consegue a guarda de seu filho (que estava com pais adotivos), só que ela é o clássico esterótipo norte-americano decadente: drogada, punk, meio puta e irresponsável. E aí se desenrola tudo. Tem pedofilia e Marilyn Manson no papel de Jackson. Pensei bastante a respeito do filme, se eu tinha gostado ou não dele. Acho que gostei, pelo menos me deixou bem menos impressionada do que quando eu assisti "Martyrs".
Esses dias eu vi um filme do Jesus (Jess) Franco, "Love Letters from a Portuguese Nun", baseado em ninguém menos do que na Sóror Mariana Alcoforado. Ganhei um livro dela e já falei dele. Jesus Franco é um perturbado de primeira. Só ele para transformar um clássico em putaria macabra. As 3 Marias fizeram suas intertextualidades, mas Jesus Franco foi muito além.
Hoje vi também aquele "Trocas Macabras". Baseado em livro de Stephen King e com o Max von Sydow num papel bem malígino. Muito bom.
E continuando a falar dos perturbados: assisti "Sukiyaki Western Django". Um faroeste japonês (?) dirigido por Takashi Miike e com atuação de Quentin Tarantino. Não preciso dizer mais nada.

Tantos filmes. E como ela arruma tempo?
Férias e insônia. Deu certo. Listinha cheia de filmes.

Tantas coisas a serem ditas, mas enquanto eu não arrumo as palavras eu me entupo de filmes.
E de livros. E de músicas. E de noites de sábado. E de tudo isso que me leva a surtar e escrever desesperadamente. Sem nexo, sem conclusão e rasgando todas as páginas. Fiquei assim.

"não escrevo a partir da sabedoria.
quando o telefone toca
eu também gostaria de ouvir palavras
que pudessem aliviar um pouco alguma
dessas coisas."
[C.B.]

[UNKLE - Burn my Shadow]